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Zeca Baleiro escolhe Brasília para estrear a turnê “Calma aí, coração”

 

Para comemorar 15 anos de carreira, Zeca Baleiro está lançando O disco do ano, nono CD de inéditas, e escolheu Brasília como ponto de partida da turnê de Calma aí, coração (nome de uma canção do álbum, feita em parceria com Hyldon). Ele apresenta o show nesta quinta e sexta, às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. A escolha tem a ver com a acolhida sempre calorosa que o maranhense recebeu todas as vezes em que esteve na cidade do brasiliense.

Zeca tinha lançado Por onde andará Stephen Fry?, o CD de estreia, e fazia sucesso com A flor da pele, quando se apresentou em Brasília pela primeira vez, em 1997. Levou uma multidão ao Gran Circo Lar (montado no local onde hoje fica a Biblioteca Nacional). Em 2000, lotou a Sala Villa-Lobos com o show Líricas, e pouco tempo depois reuniu 10 mil pessoas no Centro Comunitário da UnB — estabelecendo recorde de público no local.
Ao lado do cearense Raimundo Fagner, Baleiro foi assistido por muita gente no ginásio do Iate Clube, no espetáculo Daqui pra lá, de lá pra cá. Nos últimos anos, o cantor e compositor ocupou o palco do Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães com Baladas do asfalto e outros bluesLado Z e O coração do homem bomba, sempre com públicos igualmente expressivos.

Desta vez, ele apresenta as canções de O disco do ano em companhia da banda formada por Tuco Marcondes (voz, violão, guitarra e ukelele, Fernando Nunes (baixo e violão), Kuki Stolarski (bateria e percussão), Adriano Magoo e Pedro Cunha (teclados, sanfona, samplers e sintetizadores).

Quarta-feira da semana passada, o cantor esteve na cidade para uma coletiva de imprensa. Durante a entrevista, se ateve mais às considerações sobre o novo trabalho e o show, e relembrou de apresentações anteriores. Aproveitou para falar sobre o álbum de inéditas de Odair José, que produziu, e que sairá em breve pelo selo Saravá Discos. A seguir tópicos da entrevista:

Ironia
“Desde O coração do homem bomba, do fim de 2008, que não lanço disco totalmente de canções inéditas, embora tenha incluído algumas no Concerto e no Trilhas. Como componho bastante, havia muita coisa armazenada, que eu precisava levar ao público. O disco do ano traz no título uma brincadeira, uma provocação à mídia, sempre na expectativa de novidades. Mas é, também, uma autoironia, pois todo artista pensa sempre em lançar seu grande disco.”

Renovação
“Embora faça muitos shows e produza discos, meu ofício, por excelência, é o de compositor. Estou o tempo todo em busca da renovação e acredito que consigo chegar a isso no ato de criar. Millôr (Fernandes) disse certa vez que ‘a alma enruga antes da pele’, referindo-se a quem é dado à acomodação.”

Parcerias
“Gosto de compor em parceria. Acho divertido, prazeroso e criativamente estimulante. Das 12 faixas de O disco do ano, a única não inédita é Nada além, parceria minha com (Roberto) Frejat, gravada por ele no CD Intimidade entre estranhos, de 2008. Com Hyldon, já havia feito A moça e o vagabundo, do disco dele Soul brasileiro, de 2010. Aí voltamos a compor juntos e saiu Calma aí, coração. Kana, uma compositora japonesa radicada há alguns anos no Brasil e casada com o poeta Léo Nogueira, mandou-me uma melodia deliciosa. Pus a letra e surgiu O amor viajo, um pop nipo-havaiano, com pitadas de jovem guarda. Minha irmã Lúcia Santos é poeta, tem três livros publicados e canções em parceria com diversos compositores. Temos 10 músicas, algumas gravadas por Margareth Menezes (Febre), Paula Lima (Ela é a tal) e Nila Branco (Farsa). A que gravei, Último post, é um reggae romântico.”

Autorais
“Numa turnê pela Bahia, em julho do ano passado, compus duas canções que já rodeavam minha cabeça: Meu amigo Enock, um rock oitentista que faz alusão ao som de grupos como Gang 90 e Metrô; e Ela não parece com ninguém, que fala de uma supermusa, de beleza ímpar e incomum.Tatoo fiz durante uma viagem a Minas, a partir da ideia, hoje corrente, de tatuar o nome da pessoa amada no corpo. O desejo é um rap com recado para os mortais contemporâneos, mas que pode ser cantada na frente do espelho. Nu é originária de um refrão que me perseguia: ‘Me sinto nu, nu, nu com minha máscara’.”

Participações
“Margareth Menezes, de quem sou fã ardoroso, não bastasse e força que tem, é adorável. Ao colocar a voz em O último post, senti que uma voz feminina cairia bem ali. Fui a Salvador para participar do Sarau do Brown, projeto semelhante ao Baile do Baleiro, gravei com Maga. O rap O desejo queria uma voz masculina, de alguém que tivesse a ver com o hip hop, mas que não fosse da tribo. Achei que Chorão (líder do Charlie Brown Júnior) podia ser o cara. Não me enganei, ele quebrou tudo. Em Meu amigo Enock, pensei na voz de Andreia Dias, cantora das mais interessantes da nova geração, para dar aquele sabor oitentista à música.”

Radical
“Posso ser visto como radical, mas no repertório de Calma aí,coração estarão praticamente todas as músicas de O disco do ano. Vou fugir um pouco dos greatest hits, pois quero um show com sabor de novidade, com frescor e uma dose de irreverência. Mas um ou outro hit vão entrar. Entre eles, Telegrama, lado B que se transformou em um dos meus maiores sucessos, e Vai de Madureira. Vai ser um show como os que Chico (Buarque) tem feito, com uma parte toda de inéditas e outra com alguns clássicos.”

Odair
“Tornei-me amigo do Odair José quando ele participou do Baile do Baleiro. A partir dali, rolou uma afinidade muito grande. Propus produzir um disco dele com músicas inéditas e ele topou. O CD está pronto e traz músicas que compus com ele, parcerias com Arnaldo Antunes e Carlinhos Browm, com Chico César e a participação de Paulo Miklos. Embora Odair seja injustamente colocado na prateleira dos bregas, esse disco é genuinamente rock’n’roll.
Fonte: Correio Braziliense

   

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