Hyldon

As Coisas Simples da Vida

Com coletânea e turnê, Jota Quest comemora 15 anos de carreira

 

 

Toda menina espera por essa data: os 15 anos. Quando finalmente chega o dia, é hora de reunir amigos, familiares, comprar um bolo, fazer pedidos e ganhar presentes. Mas, no caso dos mineiros do Jota Quest, que completam 15 anos de carreira, quem ganha o presente é o público.

O vocalista Rogério Flausino, o guitarrista Marco Túlio Lara, o baterista Paulinho Fonseca, o baixista PJ e o tecladista Márcio Buzelin, diferentemente das debutantes, não farão apenas uma festa: serão 20 comemorações em 20 lugares diferentes do país. “Foi exatamente como um aniversário, no começo não íamos fazer nada, mas depois resolvemos comemorar e, quando vimos, a festinha virou mega”, conta Rogério Flausino, 39 anos.

Além da turnê 15 Anos na Moral, a banda lança coletânea dupla Quinze (Sony Music). Além das inéditas Coração, É Preciso (A Próxima Parada) e Luta de Viver, o disco com 30 faixas reúne hits como As Dores do Mundo (do baiano Hyldon), Encontrar Alguém, De Volta ao Planeta, Fácil, Dias Melhores e Além do Horizonte (Roberto e Erasmo Carlos).

Quinze traz também raridades como a versão em espanhol da música Na Moral, que conta com a participação dos argentinos Kuryaki e The Valderramas, e a canção Jogo, primeira gravação de estúdio, que está no CD independente, lançado em 1995.

Interatividade
As músicas que compõem a coletânea foram escolhidas pelo público através do site oficial do grupo. “Eu achei legal, tem coisas antigas, sabe? A banda sempre termina escolhendo uma coisa mais cabeça, mais lado B. Aí, decidimos pela votação depois de muito discutir”, afirma Flausino.

E a interação com o público não para por aí. As 30 músicas que o Jota toca na turnê também foram escolhidas pelos fãs no site, que mudou de visual em homenagem aos 15 anos. Agora, além de conferir a agenda, fotos e vídeos da banda, os fãs cadastrados podem participar de promoções e virar destaque no site, caso interajam através das redes sociais.

Falando em interação, Rogério é um tuiteiro assíduo: “O twitter me aproxima muito dos fãs, pois posso pegar a sensação deles pós e pré show, além de ficar mais bem informado”.

Salvador
“Uma banda debutando é esquisito, mas estamos muito felizes, cheios de planos”, diz Flausino, que promete três horas de show em cada uma das apresentações. Os baianos vão participar da turnê no dia 9 de julho. O horário e o local, porém, ainda não estão definidos. “Já estamos empolgados para tocar na Bahia, vamos convidar amigos como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Pitty para participar da festa”, antecipa o cantor.

Além de Salvador, as principais capitais irão receber a turnê. Entre elas,  São Paulo (17 de junho) Goiânia (30 de julho), Brasília (20 de agosto), Belo Horizonte (8 de outubro) e Natal (29 de outubro).

E Rogério parece mesmo cheio de planos. Mal lançou a coletânea, ele planeja outra: “Estou na torcida para que seja um sucesso de vendas e, desse modo, possamos lançar Quinze Vol. 2”.

Se depender do primeiro single É Preciso (A Próxima Parada), já tocando nas rádios e com videoclipe quase pronto, Quinze tem tudo para dar certo: “Comemorar os 15 anos é uma sensação de vitória, de conquista e temos o ano inteiro para celebrar”.

Sem teclados  Mas claro que fazer uma banda dar certo durante 15 anos não é tarefa fácil: “É que nem casamento. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, a gente casa porque gosta de estar com a pessoa. A mesma coisa é a banda, ninguém é obrigado a ter, você pode ser um artista solo. Eu, particularmente, sempre quis ter uma”, diz.

Durante esse tempo todo, não faltam histórias curiosas. Durante o bate-papo, por telefone, Rogério lembra de uma situação inusitada que o grupo enfrentou logo no começo da carreira durante uma apresentação no programa da Xuxa.
“Esqueceram o teclado do Márcio e ele ficou super sem graça. A única reação foi começar a dançar com os bonecos no palco”, conta. “Claro que foi motivo para tirarmos sarro dele durante anos”, completa.

DNA musical
E ainda há fôlego para seguir em frente, meu caro Rogério? “Espero pelo menos mais 15 anos. Até lá, desejo ir mais longe melhorando as nossas produções”, afirma o vocalista, nascido em Alfenas, numa família de músicos.

Sim, a música está no DNA. Rogério é primo dos cantores Marcus Menna e Ângelo Máximo e irmão de Wilson Sideral (que se apresenta nessa quinta-feira em Salvador, no Club Dolce, às 23h) e Flávio Landau: “Meus tios também faziam música, cantar é mais que uma profissão, é meu oxigênio”.

Acham que a coletânea e a turnê já são presentes suficientes para os fãs? Pois não são. Rogério adianta que tem planos de lançar um DVD com os bastidores da comemoração. “Estamos registrando tudo e, durante os shows, câmeras estarão filmando a gente o tempo todo. A intenção do DVD será mostrar o que foi este ano e as coisas que vivemos nele”.

Palmas para o Jota Quest: ele merece
Em um país sem tradição de cultura pop, no qual o rock’n’roll nem de longe tem o espaço mercadológico que chegou a ter na segunda metade da década de 80, o Jota Quest faz 15 anos e comemora o fato com uma coletânea dupla e uma turnê. Tem mais é que comemorar mesmo, pois não é fácil uma banda pop rock – no caso, com pitada soul dance – manter tal longevidade no Brasil. Trata-se de um país em que, até hoje, muita gente acha o termo pop um palavrão. O próprio Jota Quest sofreu preconceito por não ter medo de ser pop.

Na virada dos anos 90/2000, quando surfava no pico do sucesso e vendia até 1 milhão de discos, o Jota Quest fez uma campanha publicitária para a Fanta, no qual  o vocalista Rogério Flausino aparecia de cabelo alaranjado, a mesma cor do refrigerante. Caíram de pau no Jota Quest, inclusive boa parte da imprensa tupiniquim, como se fosse o fim do mundo uma banda numa propaganda de refrigerante. Ora, se até o mito folk Bob Dylan cede clássicos seus para embalar comerciais e até já apareceu em anúncio de lingerie da Victoria’s Secret, por que uma banda pop brasileira não pode ser garota propaganda da Fanta? Neste planeta dos macacos, palmas para a competência instrumental do grupo e para as suas canções up. Fazer música “fácil, extremamente fácil” com competência não é para qualquer um.

 

Fonte: Correio 24H

   

Voltar