Hyldon

As Coisas Simples da Vida

Hyldon critica armas e violência em “Tim Maia” (Uol)

 

Por Leonardo Rodrigues – Uol São Paulo

Um dos pés do triunvirato do soul brasileiro, junto de Tim Maia e Cassiano, o cantor Hyldon está incomodado. E não é por ter sido limado da cinebiografia do “Síndico”, tal como tantos outros personagens importantes na trajetória de Tim –uma “escolha artística do diretor”, justifica. A bronca é com a forma como o amigo e parceiro musical foi retratado nas telas: drogado, violento e com marra em demasia.

“Ele era uma pessoa muito amorosa, muito bacana e dócil. E era bem-humorado. Não teve essa fase em que ele se drogava direto. Teve alguns momentos, mas a vida dele não era só isso”, diz ao UOL o autor de “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” e “As Dores do Mundo”.

“O filme não mostra, mas ele bancava um orfanato, com quase 40 crianças. Adorava cachorro. Tinha um senso de humor enorme. Contava piada e imitava todo mundo. Senti falta disso. Ele ficou um Tim meio ‘rapper’ demais.”

Hyldon também critica a cronologia de ascensão e queda de Tim no longa, que ignorou discos e sucessos como “Dia de Domingo” e “Me Dê Motivo”. E o fato de não mostrar como Tim Maia aprendeu o idioma soul  nos EUA, além da cena em que ele aparece batendo na mulher, Janaína, personagem criada a partir das várias companheiras.

“Nunca vi o Tim pegar em arma. Nem bater em mulher”, revela Hyldon, que diz, no entanto, entender a dificuldade de se condensar em duas horas uma vida longa e pródiga em histórias. “Mas fiquei com o filme, por lembrar quem foi ele, um dos maiores cantores que o Brasil já viu.”

 

Tim Maia, Cassiano e Hyldon na capa de “Velhos Camaradas 2″

Soteropolitano, Hyldon conheceu Tim no final dos anos 1960, época em que tocava com o grupo Diagonais, precursor do som black no país. Logo se encantou pela personalidade forte de Sebastião Rodrigues Maia. E, claro, pelo talento. Conviveram, principalmente, na década de 1970, assinando juntos músicas como “I Don’t Know What To do With Myself” e “Velho Camarada”, esta também com o cantor Fábio.

 

Hyldon também acompanhou de perto a transformação de Tim na época em que descobriu o livro “Universo em Desencanto”. “A gente teve uma amizade muito forte. De ele vir dormir na minha casa. De eu dormir na casa dele. De um emprestar dinheiro para outro, quando a gente estava duro. Tem várias histórias. Lá por 1974, 1975, ele passava lá em casa, eu morava em São Conrado, para ir à praia. Ele falava: ‘E aí, já leu o livro?’. Eu falava que estava na página 46. Fiquei uns dois anos na página 46 (risos). Aí ele desistiu.”

Ainda sobre a fase Racional, Hyldon critica o filho de Tim, Carmelo, responsável por administrar o legado musical do pai. “O Tim nunca iria permitir que aquele disco fosse relançado. Aquilo ali foi o maior fiasco da vida dele”, critica. “Os herdeiros teriam que zelar pela obra. O Carmelo chegou, pegou as sobras que tinham lá, com vozes ruins do Tim, chamou músicos para tocar, e ainda fez o terceiro volume do ‘Universo em Desencanto’. Isso é grave.”

A cinebiografia do cantor Tim Maia, baseada no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, percorre cinquenta anos na vida do artista, desde a sua infância no Rio de Janeiro até a sua morte, aos 55 anos de idade, incluindo a passagem pelos Estados Unidos, onde o cantor descobre novos estilos musicais e é preso por roubo e posse de drogas. Reprodução

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