Hyldon

Zondag in Amsterdam

Roberta Campos lança novo álbum com uma parceria inédita com Hyldon | O Tempo

 

O disco autoral, que chega nesta sexta às plataformas, mostra a cantora e compositora se arriscando em outros territórios e parcerias

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Foto: Lucas Seixas/Divulgaçaõ

O aperitivo aos fãs foi dado por Roberta Campos no último dia 16, quando a música “Miragem”, de sua autoria, chegou às plataformas musicais, com a cantora dividindo os vocais com Alexandre Carlo, do grupo Natiruts. Na mesma data, chegava ao YouTube o clipe, gravado em uma casarão do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e no qual os dois intérpretes alternam o protagonismo do vídeo com um casal de dançarinos, que, por sua vez, executa a coreografia que celebra uma paixão com uma letra caliente e provocativa: “Te sirvo um vinho pra esquentar/Coloco um som pra gente dançar/Depois de tudo, eu tiro a sua roupa”.

Nesta sexta, será a vez de conhecer por inteiro o quinto disco de carreira da mineira (de Caetanópolis) radicada em São Paulo, e que, não computando-se o EP  “Só Conheço o Mar”, lançado no ano passado; encerra um hiato de seis anos desde “Todo Caminho é Sorte” (2015). Chancelado pela Deck, “O Amor Liberta” foi produzido por Paul Ralphes e reúne 11 canções que percorrem caminhos musicais diversos, sempre tendo a MPB como espinha dorsal. Nos créditos, há parcerias tanto com nomes já consolidados no mercado, como Hyldon,  Humberto Gessinger e Luiz Caldas; quanto novos talentos, como De Maria – com quem ela divide “Chegou o meu Verão” .

Roberta conta que a gênese do trabalho data de 2019, quando a artista começou a cogitar a sua volta aos estúdios e, assim, passou a garimpar possíveis composições candidatas a formar o repertório. “Aos poucos, separei algumas canções que tinha feito naquele ano mesmo, depois, fui lembrando de músicas mais antigas que tinham a ver com a história desse álbum, como ‘Se a Saudade Apertar’, parceria com Hyldon; e ‘Começar Tudo Outra Vez’, com o Humberto (Gessinger) – ambas feitas em 2016. Outra que me veio à mente, e que acabou sendo a mais ‘antiga’ do disco, é ‘Aquário’, de 2011 – ela quase entrou em (no disco) ‘Diário de um Dia’ (2012), mas, depois, no último minuto, acabou saindo. Agora, recordei dela”.

Mas o disco, claro, também traz composições mais recentes. “Em 2020, acabei compondo algumas canções, e como esse disco havia sido adiado em função da pandemia, deu tempo de dar uma mudada ali, no que já estava separado. Até então, tinha pensado até em fazer uma ou outra releitura, mas acabei descartando essa ideia, e, a um ponto, finalmente parei de mexer (no conjunto). Em setembro, chamei o Paul Ralphes para produzir e entrei no estúdio”, recorda.

Perguntada sobre o conceito que perpassa o disco, Roberta responde que ele está todo embutido no próprio nome do trabalho. “Quando eu fiz a música ‘O Vento Que Leva’, tudo ficou claro. Ali, várias coisas foram definidas. Na letra, há uma frase que diz: ‘o amor ensina e liberta’. Veja, eu venho de um momento, assim, muito bonito da minha vida, no qual entendi muita coisa. Inclusive no meio dessa pandemia mesmo, pois acabei me compreendendo um pouco melhor. E acho que é essa é a história do disco, essa mensagem que trago com ele de amor, resiliência, força, aceitação… Esse amor que eu falo que acredito começar do amor próprio, o que reverbera em toda a nossa vida. É o que estou vivendo: esse amor próprio, aliás, me possibilitou encontrar um amor recíproco, real, além de a me entender mais, me aceitar mais, me ver livre de culpas, medos, inseguranças. É bem isso que quero falar com o disco”.

Roberta Campos pontua que o fato de incluir músicas que vêm desde 2011 a fez entender também que foi ali que se deu o começo desse referido despertar – que, como todo processo de auto-conhecimento, demanda um certo tempo. “Esses dias, me dei conta de que foi em 2011 que comecei a fazer terapia. Aliás, nesse ano, recebi a minha alta. Quando percebi (a “coincidência”), falei: ‘Cara, olha como realmente tudo faz sentido, né?'”.

Uma música que ela destaca como especial no repertório é a já citada parceria com Hyldon.  “Foi a primeira música que a gente fez junto, e aquele momento, 2016, foi super importante, porque, na verdade, eu sempre tive um processo meio solitário de compor. Mas naquele ano, quis me encontrar mais com as pessoas para compartilhar a minha arte com a delas. Mesmo porque, acho fantástico o caminho que a música toma quando você se junta a alguém E o Hyldon foi o primeiro cara que me acolheu. Foi super solícito, generoso e se abriu para me receber na vida dele. Fizemos umas quatro músicas naquele ano e foi muito, muito incrível. Tenho muita gratidão por isso”.

A faixa que fecha o disco, por sua vez, “Rosária”, ela fez em homenagem à avó, “que foi a pessoa que me criou, minha mãe”. “Ela faleceu em 2017, e a falta dela doia muito. Mas comecei a entender que esse amor que sinto por ela, e todo esse cuidado que ela teve comigo, sempre vão exister dentro de mim. Toda vez que lembro dela consigo senti-la. Daí, acalmei meu coração e a música acabou nascendo, como forma de homenageá-la. Pensei: dessa vez, ela não vai estar aqui, ouvindo o meu disco comigo da forma que normalmente acontecia, mas vou colocá-la no álbum e eternizá-la na minha canção”, completa.

“Pro Mundo que Virá”, por sua vez, foi a última a chegar no disco, mas a incumbida de abri-lo. “É uma das minhas preferidas. Ela representa muito essa chegada do álbum, fala sobre o que eu desejo para o meu futuro e o que desejo para o mundo mesmo. Acho que é muito positiva, e me sinto bem em escutá-la e em cantá-la, e acho que essa conexão vai ser muito real quando as pessoas a ouvirem”, finaliza.

Confira, a seguir, outros trechos da entrevista

Caminhos sonoros. “Eu fiquei seis anos sem lançar um álbum cheio e, nesse tempo, vivi muita coisa, ouvi muita coisa, conheci outras culturas. Fiz muita, muita coisa. E a gente todo dia está aprendendo, todo dia está crescendo e trazendo coisas para a nossa vida. Em um momento, comecei a ouvir muito jazz, blues. Também mergulhei mais na música brasileira, comecei a ouvir mais Bossa Nova. E acho que tudo isso o que a gente vai vivendo e ouvindo, acaba levando para o inconsciente e, num segundo momento, aquilo pode florescer com a arte que você faz. Acho que é isso que aconteceu com a minha música, veio com uma mistura um pouco disso. Um pouco de blues, uma coisa que vai para se definir ali, como um blues, mas não é, como um jazz,  mas não é, mas dá para perceber que tem o traço. Eu que vinha de uma pegada mais folk, acho que, dessa vez, o único mesmo é a canção que fiz com o Humberto, que tem a coisa do dedilhado minimalista, mas eu vejo o disco como essa mistura.

Planos para retorno aos palcos. “Eu estou morrendo de saudades! Gosto de tudo o que faz parte da música, tudo o que faço, mas o show é a parte que mais amo, pois estou junto com as pessoas, acho que é a finalização, a sensação do dever cumprido. Você trocar energia ali, ao vivo, junto com as pessoas, é muito importante para mim. E está sendo bem difícil ficar longe dos palcos. Mas no dia 13 de agosto vai ser a minha retomada, digamos assim. Em Campinas, com as orientações indicadas, plateia reduzida e, claro, as medidas de proteção. Mas estou feliz e desejo muito que daqui pra frente tudo se acalme e que eu possa dar continuidade a esse trabalho que foi pausado. Quando começou a pandemia, eu tinha mais de 20 shows agendados, que foram cancelados ou adiados. Eu tinha planos de viajar por muitos lugares do Brasil, e de dar continuidade à minha carreira internacional, que eu comecei em 2019, quando fiz o meu primeiro show na África. Também fui para Portugal, e eu queria ir para outros lugares, assim como voltar àqueles. Eu estava articulando tudo isso. Então, espero que, agora, essa sexta-feira, 13 de agosto, seja um dia de muita sorte para que eu continue na estrada. Ainda não vai ser o show novo, vou mesclar (o repertório). Estou planejando ainda o lançamento do disco, mas vou cantar algumas canções, já”.

Cabo Verde. “Participei de um festival de jazz chamado Kriol Jazz. Aconteceu assim:  no final de 2018, veio uma cantora de Cabo Verde ao Brasil, a Elida Almeida, e ela me convidou para participar do show dela. Fiquei muito feliz, foi uma novidade muito boa, mas não tinha entendido muito bem. Pensei: ‘Ela me conhece, mas como, se mora na África?’ Conversando, ela me falou: ‘A sua música toca muito lá, nas rádios de Cabo Verde’. Aí aconteceu, e, no ano seguinte, veio o convite para ir a esse festival, representando o Brasil”.

Parcerias. “Sou super aberta e atenta, gosto de conhecer coisas novas e, quando gosto, acabo querendo interagir também. Tinha ouvido o De Maria tocar no rádio, e quando a Luiza Possi me convidou para participar de um show dela em São Paulo, ele estava lá, abrindo a noite. Ali, no camarim, quando a gente esperarava – ele ia voltar para o palco também -, ficamos conversando. E achei muito legal, tivemos uam sintonia muito boa. Peguei o telefone dele e mandei uma ideia de música que, na minha opinião, tinha tudo a ver com o meu som e com o dele. E aí ele ficou superfeliz, mandei, ele curtiu. Acho uma música bem forte, gosto muito dela, e acho que a gente começou essa parceria muito bem. E acho superbacana ter um talento jovem no meu disco, mesmo que junto comigo fazendo a canção”.
Pandemia e o papel da arte. “Fundamental. Costumo dizer que a música – falando da minha arte, mas tem várias outras que me sustentam, que me apoiaram e me ajudaram neste momento, – sempre falo que ela sempre me salva, e acho que é isso que acontece com as pessoas, com elas relacionadas às outras artes também, não só à música. E acho importante de termos esse veículo, que é a internet,, para a gente não se desconectar do mundo, das pessoas, e cada um conseguir se manter, tanto o artista se expressando e estando junto de seu público quanto o público recebendo essa música e o carinho através das lives, redes sociais e tudo. Só lamento muito não ter tido outra forma para que a gente pudesse manter a nossa arte. Para mim, eu continuei a compor, e fiz muita coisa. Como ja tive até hoje 20 músicas em novelas, tenho muita música tocando no rádio, acho que hoje são 23 canções simultaneamente, então, para mim, falando financeiramente, consegui me sustentar, mas lamento pelas pessoas que não tiveram essa chance Espero que tenham conseguido, para se sustentar, mas espero que nesse novo momento, também, todos consigam voltar e se refazerem. Acho que vai ser um renascimento. Mas a arte é, sim, especial”.

Mundo pós-pandemia. “Eu acho que a gente sempre aprende alguma coisa. Sempre aprende. No entanto, é complicado falar, pois (no início do pandemia) ouvimos muito:  ‘É um momento de olhar para dentro, e tudo’. Mas isso depende da pessoa, né?. Muitas sim, olharam para dentro, de várias formas, e olharam também para o próximo. Mas outras tantas não. E também é aquela coisa, né, às vezes quando tudo fica bem, as coisas são esquecidas. Então, vou falar mais do meu desejo, que, de coração, é que todos consigam ser resilientes e consigam ver, com esse momento, o que realmente é importante para a vida. Acho que assim, a gente tendo bons valores e dando importância para o que realmente é grandioso para a vida, o mundo fica mais bonito. E para o amor, que acho que sempre coloca a gente num caminho mais florido”.

Fonte: O Tempo

   

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