Hyldon

As Coisas Simples da Vida

Uma lição do veterano Hyldon (O Popular)

 

Um disco novo do Hyldon sempre será motivo de alegria. O guru do suingue figura ao lado de Cassiano e Tim Maia na família do soul patropi. Como Cassiano e Tim Maia partiram para turnês distantes, Hyldon representa uma linhagem de nobreza romântica. Bom saber que o dono da casinha de sapê continua ativo e delirante.
 
Em seu disco novo, Hyldon se dedica a cantar As Coisas Simples da Vida. Nada de complicações para ele, que já conheceu as dores do mundo. Os pássaros que voam de sua cabeça, na capa do CD que tem as artes de Flávio Albino e Daryan Dornelles, simbolizam a cuca fresca de quem trocou o embaraço pela espontaneidade.
 
Hyldon está de volta na companhia de Guinho Tavares (guitarra, violão), Arthur de Palla (baixo), Felipe Marques (bateria), Luiz Otávio e Márcio Pombo (pianos, teclados, sintetizadores). Mais a turma dos sopros, Marlon Sette (trombone), Diogo Gomes (flugel, trompete) e Rodrigo Revelles (flauta, saxofone). A produção é dele, como as 10 composições, algumas em parcerias.
 

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A faixa título, com Alex Malheiros, abre o disco imprimindo uma digital conhecida. O entendimento telepático entre Arthur e Felipe é digno de nota. Parece elementar, mas é louvável. Hyldon não tem pudores em se referir, nas letras, a um paisagismo de bicho-grilo contemporâneo.
 
A beleza extraordinária de Música Bonita, com Luiz Otávio, chega perto da afetação piegas. Raros têm a classe de Hyldon para cometer uma balada como Depois do Inverno, também com Otávio. Um Trem para Bangu inaugura a safra do funk para rachar o assoalho. Resista, se puder.
 
O balanço de Sábado Passado, com Chris Dellano e Alex Moreira, vem mesclado com samba de gafieira. A graça de Papai e Mamãe reside numa lista de brincadeiras antigas. A voz de Hyldon nunca esteve tão boa como na interpretação de O Raio do Amor. A nostalgia de Nosso Lar é Onde o Amor Morar não compromete a felicidade do CD.
 
Que termina, depois de Não Molhe os Olhos, com uma mensagem franca: “a rua não é minha/ a rua não é sua/ todo mundo é dono da rua”.

 
Fonte: O Popular
Link para a matéria: http://ludovica.opopular.com.br/blogs/no-compasso/no-compasso-1.989717/li%C3%A7%C3%B5es-de-veteranos-serelepes-1.1187468

   

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