Marília Bessy traz brilho e charme ao pop rock nacional

 
Um dos shows mais comentados e aguardados de 2012 é o encontro da cantora carioca Marília Bessy com Ney Matogrosso, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), na quarta-feira (23), às 19h30. Quase com um mês de antecedência, os ingressos já estão esgotados. Não é para menos. Basta escutar o encontro dos primeiros acordes com a voz da garota no segundo álbum dela, “Doce Devassa”, para confirmar porque tem obtido elogios tão rasgados por parte da crítica especializada e do público, e como conseguiu reunir num mesmo trabalho nomes tão importantes do pop rock nacional.
 
Conhecido como integrante da banda Barão Vermelho, o baixista Rodrigo Santos é o produtor do álbum e também compositor da faixa que abre o álbum, “Tem Dias Que Eu Sou Assim”, um pop rock moderno e potente, criado em parceria com Marília Bessy, que escancara: “Não quero falar com ninguém / Não quero sair para beber e nem para fumar / E se o telefone tocar / Eu não vou atender”. A música conta com guitarra e baixo de Rodrigo, guitarras de Fernando Magalhães (também com passagem pelo Barão Vermelho) e piano, synth e órgão de Humberto Barros (conhecido como líder da banda Picassos Falsos).
 
O tom raivoso segue na animada regravação do clássico “Não Vou Ficar”, de Tim Maia, que conta com a participação especialíssima de Hyldon: “Por isso resolvi agora / Te deixar de fora de fora do meu coração / Com você não dá mais certo / E ficar sozinho é minha solução / É minha solução sim”.  E nada de ficar cabisbaixo e sofrendo por amor. O lance é sair para dançar e comemorar, com a empolgada “Vela”, que conta com o saxofone do “kid abelha” George Israel: “As variações e as interpretações / Dão rumo ao mundo / Se você quer saber, pergunte sem ofender / Ou tente entender sozinho”.
 
Numa pegada com a cara do Barão Vermelho, “Eu Não Sei o Seu Enigma” é uma parceria de Marília Bessy com Mauro Sta. Cecília (“Por Você” e “Amor Pra Recomeçar”), Rodrigo Santos e Fernando Magalhães: “Cara você não se toca como eu te quero / Vive no espaço em quanto eu me desespero / Olha nos meus olhos me diz o que tá sentindo / E fala a verdade para eu não ter que decifrar”. É o início de uma tentativa de romance mais moderno e libertário, sem chororôs e lamúrias, que tem continuidade em “Meu Mundo Virou”, com uma pegada bem pop anos 90, de cantoras como Vanessa Rangel e bandas como Ludov.
 
O romantismo despudorado e notívago aparece na sensual e dançante “O Que Você Quer de Mim”, que conta com a participação de Ney Matogrosso: “Às vezes gosto dos seus olhos / Me secando do início ao fim / Às vezes gosto de ver você de costas / E de quatro por mim!”. Com uma vibe bem a la Ângela Ro Ro, Marília Bessy arrebenta numa versão mais suingada do sucesso “Tão Longe de Tudo”, do Barão Vermelho: “Solidão amiga do peito / Me dê tudo que eu tenho por direito / Me diga, me ensina”.  O mesmo clima aparece em “Tempestade”, parceria de Marília com Patrícia Peixoto, que conta com a flauta transversa de George Israel e os violões de Dadi Carvalho (A Cor do Som e Barão Vermelho): “Será que ficar de bem e de mal / É uma qualidade, se a gente não brigar / Não é verdade / Que o nosso amor resistirá… a tempestade”.
 
Uma das canções mais bonitas é a balada “Outra Vez”, pronta para tocar no rádio e que retrata o dia seguinte à noitada: “Acordei de madrugada sem saber de nada / Procurei os restos na pia, pistas vazias cheias de água / E o chão gelado, nenhum copo limpo todos usados / Com marcas de batom, marcas de alegria, marcas de euforia e de solidão / … / Todo mundo tem / Todo mundo tem coração meu bem”. Essa pitada pop saborosa e aconchegante se repete em “Nua”: “Porque o tempo voa / E as notícias ruins também / Eu só quero as pessoas de bem”.
 
O misto de baião e rock “Saí de Casa” traz uma energia despudorada com ares de Cássia Eller: “Saí de casa com a 1ª roupa que vi / Saí de casa sem pensar em voltar / Saí de casa para poder te ver / E eu só volto com você / … / Teu beijo é minha cachaça / Só volto com você para casa / Vou me embebedar”. A antítese dessa saída desenfreada está em “Você Não Entende O Que É O Amor”, num dueto com Rodrigo Santos: “Acordei de madrugada e você vem / Dizendo que não quer mais nada / Pra gente agora tanto faz / Escutei e respondi que não havia / Solução aquela hora / Por favor, volte a dormir”.
 
A acachapante e eletrônica faixa-título também dialoga com “Saí de Casa”: “Poderosa, descontrolada / Doce devassa / … / Sou pegajosa e amorosa, mas não quero nada com ninguém / Eu faço pose, pego pôster e assim me chama de nem / Sou louca sã de quimono retrô / Com os pés um pouco acima do chão”. No final, uma fantástica versão cool do hit brega “Conga Conga Conga”, de Mr. Sam, gravado por Gretchen.
 
Portanto, Marília Bessy aproveita esse segundo álbum, “Doce Devassa”, para propor uma espécie de DR (discussão de relação) moderna, com ares de crônica de baladas e o apoio de artistas que fazem a história do pop rock nacional. Ela também caprichou na concepção da capa e na produção de figurino, junto com Patrícia Peixoto, com direito à língua dos Rolling Stones, para o colorido e encantador projeto gráfico de Ronaldo Oest, que transmite a sensação de uma garota descolada e “up to date”.
 
Ah, esse foi o primeiro trabalho lançado pela parceria da Warner Chappel com a Warner Music distribuição digital, e contou com o apoio do selo Discobertas, do jornalista e produtor Marcelo Froes. Marília Bessy também teve músicas incluídas nas telenovelas “Rebeldes” e “Vidas em Jogo”, da Rede Record, e ganhou o Troféu Revelação Sexo MPB, do jornalista e produtor musical Rodrigo Faour.
 
 
Fonte: Rede Brasil Atual